Aprenda como precificar seu artesanato

Valorize seu trabalho, cobre um preço justo por suas peças e tire todas as suas dúvidas para viver do que você ama!

Empreender no mundo do artesanato é desafiador, mas traz muita recompensa à alma (e ao bolso) se você possuir boas ideias, gostar de executar todos os processos e tiver vontade de aprender. Neste terceiro quesito, Eder Machado, de volta ao blog, dá uma mãozinha apresentando seis passos para quem quer começar a estruturar a base do seu negócio e precificar seu artesanato.

1. Não use outras pessoas como parâmetro.

Considere sempre o seu objetivo pessoal. Na sua trajetória empreendedora, encontrará muitos artesãos e artesãs com metas diferentes, desde a busca de uma renda extra para uma viagem até mesmo o financiamento de uma faculdade ou tornar sua arte como sua fonte de renda principal.
Por isso é você quem vai definir o perfil do seu negócio, o seu objetivo e quanto quer ganhar.

2. Entenda a diferença entre salário e lucro.

Lucro é o que sustenta o negócio, é o retorno positivo que serve para reinvestir no próprio negócio (em materiais, ferramentas, manutenção e o aprendizado de novas técnicas etc.). O investimento em capacitação sai do lucro. É o retorno que permite que seu negócio continue melhorando e crescendo.
Salário é pago para quem desempenha uma função no negócio. Você tem que ter um salário, independentemente de ser o proprietário ou o empregado de um negócio. A artesã tem que ter um salário dentro do negócio que ela tem. O artesão tem dois papéis: colaborador e proprietário. Como colaborador, deve receber um salário e, como proprietário, vai ter participação dos lucros do negócio (com capacitação, por exemplo).

3. Entenda a diferença entre custo fixo e variável.

Como precificar seu artesanato?
Custo fixo: é o custo que a pessoa tem independentemente de ter vendas, por exemplo:
  • Internet;
  • Aluguel do ateliê;
  • Site/loja virtual;
  • Salário;
  • Luz;
  • Telefone.
Em resumo, são todos os custos que você sabe que virão todo mês para fazer funcionar o negócio.
Custo variável: é em função da produção. Mais produção significa um aumento de custos em materiais e ferramentas, se tiver menos produção, o custo diminui, por exemplo:
  • Material (varia em função do volume de vendas);
  • Frete;
  • Embalagens;
  • Imposto sobre vendas;
  • Comissões de venda (por ex.: taxa de comissão da loja virtual).
Portanto tudo que depende da quantidade de produtos gerados no seu negócio vai criar um custo variável.

4. Defina o seu salário e como incluí-lo no preço dos seus produtos

Pense no seu salário com o mesmo carinho que finaliza suas peças
Se você fosse contratar alguém para fazer o que você faz, qual seria o salário dessa pessoa? O ordenado tem obrigatoriamente uma relação direta com a complexidade e qualidade do que o artesão produz.
Mas como definir um salário “possível”? O que deve ser levado em consideração?
Considere seus investimentos em capacitação. O valor e qualidade do seu trabalho aumentam conforme você se especializa. O cliente percebe que a peça tem mais qualidade; isso diferencia seu produto, seu atendimento e a sua experiência como profissional. Seu salário pode aumentar.
Considere também o tempo de experiência (sua reputação é construída no mercado) e a dificuldade da peça (o nível de dificuldade é maior ou menor?). Não se desanime e não brigue por preço. Se diferencie, agregue valor a seu produto e nunca dispute para oferecer o menor preço. Isso não é nada saudável já que todos perdem, inclusive o cliente, que tende a receber um produto de qualidade inferior. Países como a China produzem em grande escala, mas o produto artesanal é exclusivo! Se a pessoa quer um produto barato, ela não quer artesanal. Seu cliente é aquele que busca algo único.
Para incluir o salário dentro do custo fixo da peça, faça o seguinte exercício:
É importante planejar e definir seu salário antes de precificar suas peças
Vamos a definir um salário de R$ 800 como exemplo. Divida o salário pelo número de horas trabalhadas no mês, digamos que são 40 horas semanais, o que no mês são 160 horas. Agora divida esses R$ 800 pelas 160 horas/mês e vai descobrir o valor da hora trabalhada. R$ 5/hora.
Para incluir o valor do seu salário no preço de suas peças, pense:
Quantas horas leva para fazer a peça em questão? Se numa peça em particular você leva duas horas para fazer, o valor a ganhar por mão de obra são R$ 10 de salário. Fora o custo fixo e o variável. Adicione ao valor da peça o quanto gastou de materiais, custos variáveis e flexíveis e você terá o preço final do produto.

5. Desconstruindo o preço de um produto

Considere primeiro seus custos mensais, como fizemos com o salário, e divida pela hora de produção de cada peça.

6. Estudo de mercado

Digamos que o preço final do produto é de R$ 26. Vá ao mercado e analise se seu preço está compatível.
Se você encontra a mesma peça sendo vendida por R$ 27 e uma outra R$ 25, você está dentro de um preço competitivo de mercado. Se você verifica que seu preço está acima, diminua a margem de lucro. O estudo de mercado ajuda a definir a margem de lucro de cada peça e fazer um posicionamento competitivo.
Considere também a qualidade dos produtos na hora de comparar preços. Um bom acabamento pode posicionar seu produto num patamar acima do que o dos seus concorrentes.

7. Defina uma quantia para reinvestir no negócio. E por que isso é importante?

É fundamental reinvestir no negócio. Lembra do lucro? Ele volta aqui para fazer a manutenção do espaço de trabalho e suas ferramentas, comprar um novo computador, por exemplo, investir em capitação, se atualizar em técnicas e tendências, ir em feiras e eventos e saber escolher um espaço para trabalhar seu ponto de vendas.
O lucro ajuda também na hora de imprevistos. Se alguma ferramenta falhar ou precisar de manutenção, o desgaste normal de peças que precisam ser trocadas periodicamente. Esses gastos saem do lucro. Mas como definir o lucro? Depende do seu objetivo, planejamento e da sua estratégia. Onde você imagina o seu negócio em um ano? Quanto lucro você precisa para chegar lá? Você pode sim trabalhar acima da média do mercado, exige posicionamento.
Essa visão é uma visão voltada para o pequeno empreendedor e artesão. Seja MEI ou ainda não regularizado, é uma forma simplificada da composição de preço.
Texto publicado no site EDUK

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