Microcrédito é alternativa ao pequeno empreendedor, mas exige planejamento

 

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Num cenário de “empreender por necessidade”, que subiu 15% no último ano, crédito pode ser a alavanca para um negócio sustentável.

Muitas são as consequências da crise econômica que vem sendo enfrentada pelo Brasil. Uma das mais impactantes é o desemprego que, segundo o IBGE, já atinge 11,8% da população. Com essa taxa aumentando a cada trimestre, os brasileiros têm procurado alternativas como o empreendedorismo – o que pode ser benéfico para o país, pela geração de novas empresas, empregos e renda.

Alternativas como o microcrédito podem ajudar a realizar o sonho de ser dono do próprio negócio. Com o objetivo de iniciar ou impulsionar potenciais empreendimentos, é concedido a pessoas físicas e microempreendedores formais ou informais, principalmente quando não há meios para comprovação de renda, com a vantagem de oferecer melhores condições de pagamento a juros menores.

Mas antes de se optar por essa ou qualquer outra modalidade de crédito, é necessário avaliar se o valor financiado é compatível com as necessidades do negócio e a capacidade de pagamento. Os próprios bancos auxiliam nessa análise, orientando com relação a quantia mais adequada para atender às expetativas do microempreendedor. Algumas instituições financeiras já oferecem essa modalidade, como Itaú e Banco do Brasil. Além disso, a Caixa Econômica Federal divulgou que estuda oferecer microcrédito aos beneficiários do Minha Casa Minha Vida, visando auxiliá-los a abrir seus próprios negócios.

O problema é que, segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor, feita em parceria pelo Sebrae e o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), o empreendedorismo por necessidade subiu de 29% em 2014 para 44% em 2015. Ao mesmo tempo, o número de brasileiros que abriram empresa por identificar uma oportunidade e não por necessidade teve queda expressiva e voltou ao patamar de 2007. E uma das questões mais preocupantes nesse cenário é a falta de preparo: a maioria desses negócios abertos por necessidade não se sustenta por muito tempo. Geralmente eles foram abertos visando atender à necessidade do desempregado e não do cliente.

Para ter uma chance maior de sucesso, esse empreendedor precisa refletir sobre que tipo de negócio atende o mercado e fazer um planejamento, mesmo que incipiente. Ter um plano de negócios que defina as características da empresa, perspectivas de faturamento e despesas e modelo operacional é essencial para que o crédito, de qualquer espécie, seja tomado de forma responsável, contribuindo para uma gestão financeira sustentável e diminuindo os riscos que envolvem a atitude de empreender.

A boa notícia é que existem inúmeras alternativas e ferramentas, inclusive gratuitas, que podem auxiliar os milhares de novos empreendedores nesse planejamento.  Instituições como o Sebrae, por exemplo, oferecem treinamentos, materiais e consultorias gratuitas para microempreendedores. Além disso, há muito material na internet. Ou seja, há informação disponível; só é preciso ter consciência da importância do plano de negócios, de se estudar o mercado, antes de sair abrindo uma empresa e, principalmente, buscando crédito sem planejamento. A ansiedade e, muitas vezes, a própria necessidade, também faz com que esse novo empresário acabe cometendo alguns erros.

Estudar o segmento de atuação, encontrar uma oportunidade de mercado nessa área, pesquisar as necessidades do consumidor e o que a concorrência está fazendo são passos iniciais básicos que evitam decisões equivocadas e, consequentemente, riscos maiores. E esse planejamento fará diferença na hora da concessão de crédito – seja ele para a abertura ou ampliação do negócio.

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